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O Clube
O início do vôo livre em Mato Grosso deu-se em meados dos anos de 1990. Tem-se notícia de vôos realizados no Mirante da Chapada por Edson Zardo, o Edinho, de Campo Grande/MS. Relatos esparsos informam que também foram realizados vôos de asa delta em Poxoréo e Jaciara.
Em 1998, realizou-se breve treinamento ministrado pelo piloto Edinho para o Claudião, Telêmaco e Fernandes e Edno. A estes pilotos juntaram-se, também, Edilson, Marlon e Mauro Lino, companheiros até a presente data, com exceção do saudoso Mauro.
A partir de então, estes intrépidos pilotos começaram a se lançar dos morros matogrossenses. Mirante da Chapada, Morro de Santo Antônio, morrote de Jaciara e até o morro de São Jerônimo foram plataformas de decolagem para estes pilotos, ainda sem a técnica necessária para extrair do parapente o máximo em performance com segurança. Passou-se muito tempo até que alguém conseguisse “enroscar” em uma térmica. Mas não esmorecemos.
Em 2003 funda-se o Clube de Vôo Livre Chapada dos Guimarães (CVLCG) que possui entre os seus objetivos institucionais a promoção do vôo livre modalidade parapente no âmbito do Estado de Mato Grosso.
O CVLCG foi fundado pelos companheiros Marlon, Mauro Lino, Edilson, Fernandes e Fábio. Seus fundadores, desde aquele ano, perceberam a necessidade de congregar os praticantes do esporte, em especial os amantes do XC, em torno do objetivo de propiciar condições propícias à prática segura do vôo de parapente.
Porém, abandonando o formalismo dos atos constitutivos do Clube, os associados do CVLCG querem mesmo é ir mais longe, mais alto e mais rápido. É isto mesmo: os “chapadenses” querem constantemente quebrar seus próprios limites na consciência de que o desenvolvimento do esporte exige dedicação, técnica, destemor e consciência. Quebrar limites, sem perder a segurança jamais.
O começo foi difícil.
Nossa região, na baixada cuiabana, não é exatamente um oásis de morros propícios à prática do vôo livre, diferentemente das alterosas mineiras onde, em cada esquina, existe uma rampa. Apesar de estarmos circundados por inúmeras serras, enfrenta-se dificuldades em galgar seus topos já que, economicamente, a abertura de estradas mostra-se inviável, diferentemente do que ocorre no sul e sudeste de nosso país.
Assim, por muito tempo galgamos os morros a pé, na difícil tarefa de voar livre em Mato Grosso, o que jamais constituiu um obstáculo para os voadores do Chapada que, pouco a pouco foram estabelecendo suas marcas e conquistando distâncias. A princípio, poucas dezenas de kms. Hoje, vários pilotos detém distâncias acima de 50km, em alguns casos, tendo ultrapassado os três dígitos.
Começando com o Soberbo, os “chapadenses” chegaram a construir um teleférico caseiro para transporte dos equipamentos. A subida mesmo, era feita a pé e diversos vôos foram realizados no bom e velho Soberbo. Inúmeros outros morros vieram. Nenhum deles, porém, apresentou condições propícias à prática do XC, desejo de todos os integrantes do clube.
Assim, há mais de dez anos o vôo livre é uma realidade em nosso Estado. Apesar de algumas baixas ao longo do percurso, com o abandono de alguns pilotos, o certo é que a maior parte do time continua na ativa. Formamos uma família que têm como doutrina a liberdade de voar livre, o destemor de romper as barreiras do instinto de sobrevivência, que nos afasta das alturas, e a sede pelo desafio de voar mais longe, mais alto e mais rápido. Assim é o Clube de Vôo Livre Chapada dos Guimarães: palco da vida em que se desenrola o maravilhoso espetáculo da quebra das barreiras relacionadas com as alturas em nosso Estado.
Parabéns aos chapadenses!
(Ivo Aguiar Lopes Borges – Presidente CVLCG)
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